Fayulu pede verificação de resultados eleitorais na RDCongo ou novas eleições em seis meses

Fayulu pede verificação de resultados eleitorais na RDCongo ou novas eleições em seis meses

O candidato da oposição derrotado nas eleições presidenciais da República Democrática do Congo (RDCongo), Martin Fayulu, escreveu aos líderes africanos apelando à criação de um comité para verificar os resultados eleitorais ou a repetição do sufrágio em seis meses.

Numa carta dirigida aos chefes de Estado e de Governo que participam na 32ª cimeira ordinária da União Africana, que começou no domingo na capital etíope, Adis Abeba, Fayulu, defende que o encontro pode ser "uma ótima ocasião" para consolidar a democracia em África, questionando o desfecho da eleição que atribuiu a vitória a Felix Tshisekedi.

Na carta, datada de 08 de fevereiro e divulgada no domingo à noite na sua conta do Twitter, Martin Fayulu propõe a criação de um "Comité Especial da União Africana para verificação da verdade das urnas na RD Congo, a fim de revelar o verdadeiro Presidente da Rpública e os verdadeiros deputados eleitos" ou, em alternativa, uma repetição das eleições dentro de seis meses.

"De outra forma, os congoleses não vão voltar a acreditar em eleições e isso será uma derrota para a democracia que terá repercussões para além da RD Congo", escreve o opositor.

Felix Tshisekedi, o novo presidente da RDCongo, que sucede Joseph Kabila, ganhou a votação com 38,57% dos votos, resultado contestado por Martin Fayulu, que obteve a segunda posição.

Fayulu considerou os resultados das eleições presidenciais de 30 de dezembro de 2018 um "golpe eleitoral" do Presidente, Joseph Kabila, com a cumplicidade de Tshisekedi.

Tshisekedi foi empossado no cargo a 24 de janeiro, numa cerimónia em que esteve também o ex-presidente Joseph Kabila, na primeira transição de poder pacífica na história do país.

Tshisekedi foi eleito segundo vice-presidente da União Africana para 2019 e reuniu-se em Adis Abeba com o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, e com Federica Mogherini, chefe da diplomacia europeia.

No mês passado, vários líderes africanos solicitaram, em nome da UA, a suspensão da proclamação dos resultados das eleições presidenciais na República Democrática do Congo, contaminada por "sérias dúvidas", mas depois dos resultados terem sido validados pelo Tribunal Constitucional Congolês, a eleição de Tshisekedi foi aceite por vários países, incluindo a África do Sul, Quénia, Egito e Angola, que se fez representar na tomada de posse de Tshisekedi pelo chefe da diplomacia angolana, Manuel Augusto.

Fayulu questionou, no entanto, a independência do Tribunal Constitucional e diz, na mesma carta, que a legalidade que "conferiu aos usrurpadores não é sinónimo de legitimidade".

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