Chade diz que alegada tentativa de golpe na Guiné Equatorial afeta África Central

Chade diz que alegada tentativa de golpe na Guiné Equatorial afeta África Central

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Chade considerou que a alegada tentativa de golpe de Estado na Guiné Equatorial "é uma ameaça séria que afeta toda a África central", num encontro com o Presidente equato-guineense, noticiado hoje pela televisão oficial.

Meios políticos ligados ao poder na Guiné Equatorial responsabilizaram esta quarta-feira o antigo general do exército chadiano Mahamat Kodo Bani e um sargento equato-guineense, identificado como Abassolo, por um suposto golpe de Estado, na semana passada.

"A tentativa de desestabilização não é um assunto exclusivamente da Guiné Equatorial, é uma série ameaça de desestabilização que afeta toda a sub-região da África Central", declarou o chefe da diplomacia do Chade, Mahamat Zene Cherif, numa declaração transmitida hoje pela TVGE, televisão estatal da Guiné Equatorial, após a audiência com o Presidente equato-guineense, Teodoro Obiang Nguema, que ocorreu esta quarta-feira.

O governante chadiano defendeu que "todos os países da sub-região devem unir esforços para realizar investigações para não só entender o que aconteceu aqui, mas também para chegar à origem desta tentativa de desestabilização".

O ministro anunciou que viajaria, de seguida, para os Camarões, para contactar as autoridades locais sobre este caso.

O Presidente do Chade, Idriss Déby Itno, exerce atualmente a presidência da Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC, constituída pelo Chade, Camarões, República Centro-Africana, Guiné Equatorial, Gabão e República do Congo).

Esta quarta-feira, registaram-se confrontos entre as forças de segurança da Guiné Equatorial e "mercenários" perto das fronteiras com os Camarões e o Gabão, durante os quais um homem foi morto pelo exército equato-guineense.

Na semana passada, as autoridades de Guiné Equatorial disseram ter frustrado um golpe de Estado contra o presidente do país, Teodoro Obiang Nguema, supostamente encabeçado por um general e orquestrado pelo líder do Cidadãos para a Inovação, Gabriel Obono, mas este dirigente partidário negou estas acusações, referindo tratar-se de "uma completa montagem".

A 27 de dezembro, cerca de três dezenas de homens armados foram presos pela polícia dos Camarões, na fronteira com a Guiné Equatorial, não muito longe do local onde se registaram os conflitos na quarta-feira, segundo fontes camaronesas e diplomáticas da Guiné Equatorial.

Na quarta-feira, a agência France-Presse noticiou que o embaixador da Guiné Equatorial no Chade, Enrique Nsue Anguesom, foi preso em 30 de dezembro.

Depois das eleições de 12 de novembro, com o partido do poder a obter 99 dos 100 lugares no parlamento, o CI denunciou as "dezenas de detenções" de seus militantes, na capital política, Malabo, e económica, Bata.

No sábado, o Presidente Obiang denunciou "uma guerra" em preparação contra ele que, afirmou, está a ser realizada por ter já passado "muito tempo no poder".

Obiang, 75 anos, é o Presidente há mais tempo no poder, desde 1979. A Guiné Equatorial faz parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde 2014.

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