João Lourenço diz que precisa de "coragem e determinação" para combater a corrupção

O Presidente angolano admitiu hoje que precisa de ter "coragem e a determinação" para garantir, com êxito, combate à corrupção em Angola, reiterando que o fenómeno atingiu os níveis atuais devido à impunidade.

João Lourenço, que após as eleições gerais de 23 de agosto sucedeu a 38 anos de liderança de José Eduardo dos Santos, falava na primeira conferência de imprensa realizada em mais de 40 anos no Palácio Presidencial, em Luanda, juntando mais de uma centena de profissionais de órgãos nacionais e estrangeiros.

"A estratégia para garantir o êxito nesta luta contra a corrupção só tem duas palavras: coragem e determinação. E vamos buscar forças no sentido de não nos faltar essa coragem e essa determinação", disse.

Segundo João Lourenço, o combate à corrupção em Angola não passa pela melhoria dos salários da Função Pública, mas sim por acabar com a impunidade.

"Porque senão estaríamos a dizer que só que têm maus salários é que estão sujeitos a ser corrompidos, isso não é verdade. As pessoas que ocupam funções do topo, que têm bons salários, boas regalias que o Estado dá e mesmo assim deixam-se corromper", salientou.

Para o Presidente angolano, este fenómeno atingiu os níveis de hoje devido à "chamada impunidade".

"Só a impunidade é responsável pelos altos níveis de corrupção que se atingiram no nosso país. Porque as pessoas veem que há enriquecimento ilícito de pessoas, que não conseguem justificar essa mesma riqueza, porque não é riqueza que vem do seu trabalho", disse, realçando, que não é contra a existência de pessoas ricas.

"Antes pelo contrário, queremos mais ricos do que os que Angola tem, mas que sejam ricos que nos dignifiquem. A corrupção acontece devido à impunidade, se não se faz nada, se não se sanciona, não se pune, não se processa, não se condena aqueles que têm sinais muito evidentes de terem sido corrompidos é evidente que os outros farão o mesmo", considerou.

João Lourenço afirmou que a "corrupção está generalizada a todos os níveis, desde quem pede a gasosa na rua até pessoas que ocupam lugares de destaque na hierarquia do Estado angolano".

O combate à corrupção tem sido a palavra de ordem de João Lourenço, desde o período da campanha eleitoral e depois de ter assumido, há 100 dias, a Presidência de Angola, com a vitória nas eleições gerais de 23 de agosto.

Em novembro do ano passado, o Presidente angolano admitiu haver "inúmeros obstáculos no caminho" a percorrer durante o seu mandato, sendo, contudo, necessário "reagir e mobilizar todas as energias para que esse cumprimento se efetive nos prazos definidos".

"Precisamos ao mesmo tempo de neutralizar ou reduzir a influência nefasta dos que apenas se preocupam em se servir a si mesmos, descurando a necessidade da defesa do bem comum", alertou, na altura, João Lourenço.

Antes, no seu discurso de investidura, a 26 de setembro, João Lourenço comprometeu-se a combater o crime económico e a corrupção.

"A corrupção e a impunidade têm um impacto negativo direto na capacidade do Estado e dos seus agentes executarem qualquer programa de governação. Exorto por isso todo o nosso povo a trabalhar em conjunto para extirpar esse mal que ameaça seriamente os alicerces da nossa sociedade", afirmou.

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