Defecação ao ar livre causa surto de cólera na cidade do Uíge

A defecação feita por pessoas com cólera em pontos que dão acesso ao canal de distribuição de água é uma das causas do surgimento do surto na cidade do Uíge, declarou  a ministra da Saúde, no final de uma reunião multissectorial.

O encontro, que analisou o plano de emergência de combate à malária e à cólera, juntou representantes dos departamentos ministeriais da Saúde, Ambiente, Defesa, Construção e Obras Públicas, Interior, Educação, Comunicação Social, Ensino Superior, Energia e Águas, Acção Social, Família e Promoção da Mulher e Finanças, que, em conjunto, elaboraram um plano de emergência que já está em acção. 

No encontro, realizado na quarta-feira, Sílvia Lutukuta disse que a defecação ao ar livre e a falta de latrinas contribuíram para a ocorrência do surto de cólera na cidade do Uíge. “Fezes de pessoas com cólera contaminaram as fontes de abastecimento de água e de vários locais na província do Uíge”, acentuou a ministra da Saúde, lembrando que cólera é uma doença de transmissão fecal-oral.

A ministra da Saúde assegurou que medidas já estão a ser tomadas para estancar o surto, sendo medidas conjuntas com os ministérios do Ambiente e da Energia e Águas, com o objectivo de distribuir água potável à população afectada da cidade do Uíge, onde, até ontem, estavam notificados 205 casos, com oito óbitos, sendo cinco domiciliares e três hospitalares.

Quanto ao surto de malária que assola as províncias da Lunda-Norte, Huambo, Benguela, Bié e Uíge, a ministra da Saúde informou que cerca de 65 por cento dos doentes com malária naquelas províncias são crianças.

No rol de medidas em curso para se pôr fim ao surto de malária estão o reforço da vigilância epidemiológica nos pontos mais críticos e da capacidade técnica dos profissionais locais, além do envio de mais profissionais e medicamentos à província da Luanda-Norte, onde está o maior número de casos da doença tropical.

Os medicamentos para o combate aos surtos da malária e da cólera estão assegurados, garantiu a ministra, reconhecendo ser preciso haver mais remédios, a julgar pela possibilidade de o número de casos aumentar.

 Já foi accionada a compra de mais medicamentos, garantiu a ministra, que deu ênfase ao envolvimento de vários departamentos ministeriais na execução do plano de emergência.

O plano de emergência inclui a adopção de conjunto de medidas, como a identificação de recursos humanos a nível local para a formação no Instituto de Sangue, a capacitação de formadores provinciais em hemoterapia, a mobilização da população para a doação voluntária de sangue, a identificação de equipas móveis, a capacitação de agentes comunitários e de técnicos das administrações municipais e o recrutamento, capacitação e refrescamento de brigadistas e supervisores.

Constam também do plano de emergência a intensificação das actividades de fumigação e pulverização, identificação e mapeamento de criadouros para aplicação de biolarvicidas, a distribuição de mosquiteiros impregnados com insecticida às famílias e a educação para a sua utilização. JA

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Last modified on Sábado, 06 Janeiro 2018 17:29
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