×

Atenção

Erro ao carregar arquivo XML

Bakongo também paga o IVA

O “Top dos Mais Queridos” consagrou o músico Yannick Afroman como o mais querido do universo musical angolano, com a música intitulada “Bakongo”, que faz parte da última obra discográfica do referido artista com uma presença e lugar fortes na cultura angolana, apesar da origem do estilo da sua linha musical, encarada com alguma marginalidade quanto à sumptuosidade do Semba, da Rebita, da Kabetula, da Kabecinha, etc.

Por Carlos Calongo

A consagração de Yannick Afroman provocou uma descontinuidade na lista dos estilos vencedores do programa da Rádio Nacional de Angola, que passa a registar na galeria dos vencedores, um estilo cuja aceitação social foi como que a água mole que em pedra dura bate até que fura.

Num ápice, tornaram-se virais, nas redes sociais, as manifestações de vários cidadãos, que, apesar de não pertencerem a etnia “Bakongo-Mukongo”, adoptaram-na como sua zona de origem, claro está, apenas com o sentimento de satisfação pela vitória de Yanick Afroman, dono de um estilo e maneira de ser e estar, próprios.

Das manifestações não faltaram as que roçaram a deselegância por parte de quem preferiu outorgar à proposta temática da música vencedora do Top dos Mais Queridos, um sentido tribal, com o qual não concordamos por ser, tal forma de pensar, algo que desvaloriza o princípio da unidade nacional, que deve ser defendida por todos, de Cabinda ao Cunene.

A nossa interpretação é a de ter sido uma composição bem conseguida sobretudo no aspecto da letra, e mais do que tudo, a defesa de uma das etnias que de várias formas orgulha-se dos mais profundos valores culturais, com os aplausos devidos, como é o caso da língua, bastante cultivada na região em causa.

Desde logo, não vimos, nem de forma imaginária, qualquer intenção capaz de reduzir o espírito nacionalista que atribuímos à letra da música em referência, evidência que não passa de uma excelente e contextual abordagem de um tema que a sociologia angolana deve prestar mais atenção, por diversas razões.

Aliás, a cultura Rap, baseada num discurso rítmico com rimas e poesias, é um dos cinco pilares fundamentais de manifestações críticas sociais, que obrigam a interpretação do referido estilo musical numa abrangência que transcende o valor melódico, ao encontro do essencial que nela se encerra e muitas vezes em forma de enigma por desvendar.

Não restam dúvidas que a música de Yannick é uma excelente resposta à várias formas de vilipêndio lançados ao desbarato a aspectos da cultura bakongo, que como a letra não deixa de fazer referência, é propensa, dentre outras coisas, ao negócio e, por conseguinte, ao prazer dos bens materiais, sempre alicerçado nos usos e costumes ancestrais.

E porque falamos da apetência dos Bakongos pelo negócio, aproveitamos o facto de ter entrado em vigor ontem, no ordenamento da tributação angolana, o Imposto de Valor Acrescentado, para dizer que faz-se oportuna a referência que o Bakongo é tão angolano quanto outro qualquer e, por isso, também paga o IVA.

Claro que não existe nenhum tipo de acção jocosa na ligação feita no parágrafo precedente. Muito pelo contrário, julgamos pertinente chamar à colação a questão do IVA, que em parelha com o sucesso da música de Yanick está na moda, movidos pelo sentimento de mobilização ao pagamento do referido imposto.

O apelo, extensivo a todos os cidadãos que compõem a cadeia de compra e venda, deve ser entendido como uma acção de valor nacional, independentemente do tempo que levar a manifestação dos seus efeitos positivos na vida do cidadão, enquanto consumidor final.

A entrada em vigor do IVA representa uma faceta do longo processo de afastamento da “petro-dependência” da economia angolana, que ao longo de vários anos depositou nas receitas do petróleo, o sucesso de e para tudo, realizável por via do OGE.

E como afinal de contas não só do petróleo deve viver o Orçamento Geral do Estado, pelo princípio da unicidade do Estado angolano, fundado na extensão geográfica de Cabinda ao Cunene, somos de opinião de que, se para pagar o IVA temos todos que ser Bakongo, então que sejamos, para mostrar que Bakongo também paga o IVA. JA

Rate this item
(0 votes)
.
.
.

Previsão do Tempo

Uige