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Presidente da CNE russa agredida em sua casa antes das eleições locais de domingo

A presidente da comissão eleitoral da Federação da Rússia (CIKRF), Ella Pamfilova, foi agredida por um homem que invadiu a sua casa e a atingiu com uma arma de choques elétricos (taser), informou hoje a polícia russa.

O ataque terá ocorrido na noite de quinta para sexta-feira, a dois dias das contestadas eleições locais de domingo para a Duma (parlamento) do município de Moscovo, que provocaram manifestações da oposição para denunciar a rejeição dos seus candidatos, no mais importante movimento de contestação desde o regresso de Vladimir Putin ao Kremlin, em 2012.

A polícia descreveu a agressão na residência de Pamfilova, 65 anos, numa localidade nos arredores de Moscovo, como um “ataque armado”, acrescentando que o agressor “entrou na casa por uma janela e atingiu a proprietária com uma pistola de impulsão elétrica diversas vezes, antes de fugir”.

A presidente da Comissão eleitoral russa participou hoje numa conferência de imprensa, e não exibia sequelas visíveis da agressão, referiu a agência noticiosa AFP. Assegurou ainda que estava bem. “Vou sobreviver”, declarou aos jornalistas, de acordo com imagens divulgadas pela televisão.

A polícia anunciou a abertura de um inquérito.

Os medias públicos russos admitiram que este ataque poderá estar relacionado com a eleição de domingo. “De que se trata, de um assalto ou de uma ordem para perturbar a eleição?”, interrogou-se a televisão pública Rossiya 24.

O principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, denunciou por sua vez uma “falsa” agressão.

A presidente da CIKRF sancionou a rejeição da maioria dos candidatos da oposição às eleições para o parlamento de Moscovo, ao assegurar que as necessárias assinaturas de apoio de eleitores serem, na sua maioria, inválidas.

Esta decisão originou o início da contestação, que têm ocorrido quase todos os fins de semana na capital russa desde meados de julho.

Em paralelo, a jovem advogada Lyubov Sobol, que dirigiu o movimento de contestação durante este verão, disse esperar que “os culpados sejam rapidamente encontrados”.

A advogada da Fundação Anticorrupção, membro do Conselho de Coordenação da Oposição da Rússia e que manteve uma greve de fome de protesto durante um mês, considerou ainda que Pamfilova “deve ser julgada pela falsificação das eleições”, mas manifestou contra “as punições extrajudiciais”.

Após semanas de protestos, Pamfilova acabou por admitir que as regras para a apresentação das candidaturas estão desatualizadas, apesar de defender as suas deliberações.

A presidente da Comissão eleitoral acusou ainda diversos candidatos, incluindo Lyubov Sobol, de manipularem os seus apoiantes, mas admitiu que a revolta e a frustração registadas em Moscovo nas últimas seis semanas são genuínas.

“As pessoas querem mais”, disse em recentes declarações à Associated Press (AP). “Trata-se de uma nova geração que cresceu sob Putin, e temos de nos lembrar disso, temos de compreender que esta geração… precisa de encontrar o seu lugar aqui, na Rússia. Necessitam de mobilidade social”.

No sábado passado, após um apelo de Navalny, Sobol e aliados, centenas de manifestantes voltaram a desfilar em Moscovo em protesto contra as “repressões políticas”, na última ação do movimento de contestação que decorreu na capital russa antes do escrutínio local.

Navalny, recentemente libertado da prisão após cumprir uma pena de 30 dias, esteve ausente, e não se registaram confrontos com a polícia nem detenções, ao contrário de anteriores manifestações.

A marcha, com a participação de 750 pessoas segundo a polícia, percorreu as grandes avenidas do centro da capital. Os manifestantes exibiram cartazes que apelavam à libertação dos “presos políticos” detidos em ações anteriores, e ecoaram “É a nossa cidade!”.

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