×

Atenção

Erro ao carregar arquivo XML

Angola diz que queimadas estão longe de "assumir proporções incontroláveis"

O Governo informou hoje que as queimadas que acontecem nesta época do ano, em várias regiões do país, são uma prática "secular" que visa preparar as terras para serem cultivadas e estão “longe de assumir proporções incontroláveis”.

O Ministério do Ambiente de Angola, num comunicado a que agência Lusa teve acesso, refere que esta prática dos camponeses, acontece dado o aproximar da estação das chuvas, e “apesar de não ser a mais aconselhável, é usual, secular”.

A reacção do Governo angolano surge na sequência de notícias que indicam que o país africano lusófono está à frente da República Democrática do Congo (RDCongo) e do Brasil no que respeita ao número de incêndios, com o registo, nas últimas 24 horas, de 6.902 casos, contra os 3.300 e 2.127 que ocorreram nos territórios congolês e brasileiro, respectivamente.

Segundo as autoridades angolanas, existe também uma significativa produção de carvão vegetal em quase todo o país.

“Com isso pode acontecer que o MODIS (espetro radiómetro moderado de definição da imagem) registe a ocorrência de vários pequenos fogos, resultantes da preparação de terras para a agricultura. Por outro lado, como para a produção de carvão os fornos podem durar entre duas a seis semanas, o MODIS registará todos os dias que um forno estiver a funcionar como sendo diferentes e sucessivas queimadas”, lê-se no documento.

Para fazer face a este fenómeno, o Ministério do Ambiente, em coordenação com o Ministério da Agricultura e Florestas e outros parceiros têm estado a trabalhar com a população rural para a sua sensibilização sobre uma gestão sustentável das florestas comunitárias, bem como mostrar os benefícios resultantes da sua preservação.

Nesse sentido, o Governo angolano está a implementar, há dois anos, o “projecto de Carvão Vegetal Sustentável”, em comunidades das províncias do Cuanza Sul e Huambo, áreas com alto índice de desflorestação, tendo como objectivo o aproveitamento dos recursos florestais.

A perda de florestas nativas em Angola devido a fogos descontrolados, com origem diversa, principalmente a caça, por falta de consciência ambiental e debilidades do sistema de fiscalização, é um facto, reconhece a nota governamental.

Apesar do quadro descrito, o Governo angolano garante que a situação das queimadas em Angola “está longe de assumir proporções incontroláveis, como se tentou induzir”.

No dia 24 de Agosto, uma notícia da agência de informação financeira Bloomberg dava conta de que o Brasil era o terceiro país do mundo com o maior número de fogos, numa lista liderada por Angola.

A notícia citava dados do satélite MODIS (Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer) lançado pela NASA em 1999, indicando que Angola registou 6.902 fogos nas 48 horas precedentes, mais do dobro dos 3.395 na RDCongo e mais do triplo dos 2.127 fogos registados no Brasil.

"Os fogos que grassam na Amazónia podem ter colocado pressão sobre as políticas ambientais do Presidente Jair Bolsonaro, mas o Brasil é, na verdade, o terceiro país no mundo em termos de incêndios nas últimas 48 horas", escreveu a Bloomberg.

Salientando que este número não é um fenómeno invulgar na África central, a agência de notícias escreveu que só numa semana de Junho foram registados 67 mil incêndios quando os agricultores fizeram queimadas para ganhar terra para as colheitas.

A Zâmbia é o quarto país com mais fogos nos últimos dois dias, enquanto a Bolívia, vizinho do Brasil na Amazónia, é o sexto.

Os fogos na Amazónia têm dominado a agenda mediática dos últimos dias, na medida em que é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

Rate this item
(0 votes)
.
.
.

Previsão do Tempo

Uige