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MPLA, UNITA e CASA-CE apoiam Plano de Reconciliação

Dirigentes do MPLA, da UNITA e CASA-CE afirmaram nesta terça-feira, em Luanda, que o Plano de Reconciliação em Memória às Vítimas de Conflitos Armados pode ser a chave da pacificação e do perdão entre os angolanos.

À margem do acto de lançamento do Plano, a vice-presidente do MPLA, Luísa Damião, considerou ser uma iniciativa que vai cimentar a unidade, coesão e reconciliação nacional.

Nada é fácil, mas só perdoando podemos construir o futuro e erguer um grande monumento à reconciliação nacional, sublinhou Luísa Damião.

O presidente do grupo parlamentar da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, felicitou a iniciativa e espera que o processo seja genuíno, bem como contribua para concluir o processo de reconciliação nacional.

Reconheceu não ser um processo fácil e alertou para o reconhecimento das viúvas e dos órfãos resultantes dos conflitos armados.

Acusou o Estado de alguma incapacidade de consolidar o espaço de reconciliação nacional, suspeitando que a iniciativa seja usada apenas para resolver querelas no seio do partido no poder, o MPLA.

O vice-presidente da CASA-CE, Alexandre Sebastião, considerou o plano oportuno, pela necessidade promover o espírito de irmandade, indispensável ao desenvolvimento político, económico e social de Angola.

A paz entre os angolanos, o perdão entre os que estiveram envolvidos nestes actos não seria possível sem a paz entre irmãos.

Alexandre Sebastião acredita ser uma oportunidade para que os órfãos e as viúvas possam ter a oportunidade de tratar as certidões de óbitos.

Igrejas cristãs propõem que partidos históricos assumam erros antes e depois da independência

O Conselho das Igrejas Cristãs em Angola (CICA) propôs hoje, em Luanda, que os partidos políticos históricos reconheçam e assumam publicamente a responsabilidade dos erros cometidos antes e depois da independência nacional.

O pedido foi hoje feito ma cerimónia de lançamento do Plano de Reconciliação em Memória às Vítimas dos Conflitos Políticos, no período entre 11 de novembro de 1975 e 04 de Abril de 2002.

Entre várias propostas, a secretária-geral do CICA, Deolinda Tecas, pediu também que haja um diálogo sincero e inclusivo de todos os angolanos, que pode ser liderado pelos partidos políticos históricos – Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e Frente Nacional para a Libertação de Angola (FNLA).

O CICA propôs também a criação de um fundo memorial de consolação das vítimas do conflito nacional, que não necessariamente tenha uma base financeira material, além do levantamento e registo de dados históricos sobre o passado e a caminhada para o actual momento, com vista a uma “recriação da verdade das memórias históricas da nação” que agora se almeja.

“Também achamos que seria bom a concessão, em culto público nacional, de perdão à nação, pelos respectivos erros e danos do passado, para uma destraumatização nacional”, frisou a secretária-geral do CICA, sublinhando o propósito de se prevenir “futuros focos de insatisfação”.

Para o CICA, a visão sobre a reconciliação vem num momento certo e deverá contribuir “para a cura de almas e mentes, lidando com os traumas das vítimas, sobreviventes e descendentes”.

Sobre o plano, a vice-presidente do MPLA, Luísa Damião, disse que foi já conquistada a paz, “com a ausência das armas”, sendo agora o novo desafio a conquista da espiritual, para o desenvolvimento do país.

Luísa Damião disse que o MPLA deu o seu contributo para este plano, por demonstra consistência e que os angolanos querem verdadeiramente cimentar a unidade, coesão, reconciliação nacional, para que se unam as inteligências, valências para se oferecer às novas gerações um bom país para se viver.

Questionada sobre a facilidade de implementação do plano, a política realçou que “nada é fácil”, mas é possível com o empenho de todos, se estiverem imbuídos no espírito de perdão.

Por sua vez, o líder da bancada parlamentar da UNITA, Adalberto Costa Júnior, considerou importante o ato, que o seu partido “há muito gostaria de ver materializado”.

Adalberto Costa Júnior lembrou que foi membro do Mecanismo Bilateral para a Paz e Reconciliação Nacional e há mais de dez anos a UNITA promoveu internamente um programa direccionado ao perdão.

“A UNITA foi capaz de pedir perdão pelas vítimas da guerra, na altura não foi possível que conseguíssemos fazer o momento abrangente no plano nacional, mas vamos saudar, chegou esta altura. Era difícil continuar a justificar por exemplo que um assunto como o 27 de maio continuasse sem respostas”, considerou o político.

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Last modified on Terça, 27 Agosto 2019 20:24
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