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União Europeia: corrida ao Pau de Cabinda. Venda de afrodisíaco passa a ser ilegal

Em chá, ampolas ou cápsulas, a venda do produto é proibida pela União Europeia com efeitos a partir de 14 de maio.

O Pau de Cabinda - usado para tratar disfunção erétil - e que pode ser encontrado em ervanárias e em supermercados, vai passar a ser de venda proibida já a partir desta terça-feira em todos os países da União Europeia (UE). A notícia levou a uma verdadeira corrida ao suplemento alimentar - os clientes habituais encomendaram mais embalagens do que o habitual e o produto era um dos mais vendidos pela rede de ervanárias contactada pelo DN.

Com efeitos imediatos "na hora ou duas horas seguintes à toma", segundo o urologista Nuno Monteiro Pereira, o consumo de Pau de Cabinda pode causar "graves problemas a pessoas hipertensas", admite o clínico, que ao longo dos anos diz ter passado muitas receitas de dois medicamentos comercializados em Portugal e que que continham a molécula da planta - a yohimbina. Na farmácia, a molécula era vendida com os nomes Yombo-Oro ou Zumba - esta última "yohimbina pura", segundo o médico.

"Acho que [ambos os medicamentos] foram descontinuados, não tinham interesse comercial porque eram muito baratos", especula o urologista e sexólogo, acrescentando: "O pau de Cabinda dá resultado - e os portugueses conhecem bem a planta devido à nossa ligação a Angola", refere.

O Mercado dos Kwanzas, um dos maiores de Luanda, tem uma secção específica para venda de medicamentos tradicionais e o Pau de Cabinda é o mais procurado, de acordo com uma reportagem da agência Lusa do início do mês - assim que foi conhecida a proibição da UE. No mercado, as vendedoras confirmam a "eficácia" do produto no que diz respeito a tratar a impotência sexual e garantem que o chá da planta ou outra composição "são infalíveis". Serão, mas são igualmente perigosos.

UE reconhece "incerteza científica", mas avançou para proibição

A União Europeia reconheceu existir "a possibilidade de ocorrência de efeitos nocivos para a saúde associados à utilização do pau-de-cabinda" - a pedido de um estado-membro, a Alemanha - mas não conseguiu provar que estes de facto existissem. Perante "uma incerteza científica" sobre a segurança do uso da planta, decidiu proibir a sua utilização na alimentação, lê-se no regulamento 2019/650 da Comissão Europeia do dia 24 de abril.

Henrique Esteves, um dos responsáveis pelas encomendas online da cadeia de lojas de produtos naturais Celeiro, disse ao DN que os vendedores já receberam a informação de que a venda de Pau de Cabinda não será permitida a partir de 14 de maio. As notícias de que a União Europeia se preparava para proibir a venda do produto mais do que duplicou os pedidos de reserva. "Recebemos muitos mais pedidos esta semana - temos já clientes habituais que desta vez pediram em maiores quantidades", revelou o funcionário.

Quem compra o Pau de Cabinda - em cápsulas ou em ampolas, as duas formas mais comercializadas - são, segundo Henrique Esteves, na sua maioria "homens e com mais de 50 anos de idade". Uma embalagem de sessenta cápsulas tem um custo médio de 30 euros, e o afrodisíaco era um dos produtos mais vendidos pelo Celeiro, pelo menos online. "Todas as semanas recebíamos encomendas", diz o responsável, que recebeu ordens da empresa para vender o produto apenas até ao fim do stock.

O produto base do Pau de Cabinda é a yohimbina - que é a molécula da planta. "O medicamento poderia ser comercializado em cápsulas - com doses definidas -, uma vez que há outros medicamentos que também causam problemas", diz Nuno Monteiro Pereira. No caso, o Pau de Cabinda pode causar "problemas de hipertensão tão graves que podem levar à morte", afirma.

O perigo está no chá da planta. Cápsulas são mais seguras

O grande problema do uso de Pau de Cabinda é a sua utilização em chás, uma vez que "a dose não é controlada". E falta bom senso por parte de quem consome. "O médico até pode dizer que só pode beber uma chávena ou só usar uma colher de chá da planta, mas depois os homens querem ter uma maior reação e em vez de uma colher de chá, usam duas ou três, o que pode levar a crises hipertensivas graves", descreve o urologista.

Sem Pau de Cabinda - ou yohimbina - resta o sintético Viagra (e seus genéricos), que atuam de forma diferente da planta. Enquanto o primeiro "provoca sempre a mesma resposta - uma ereção muito prolongada, o Viagra tem esse efeito - de ereção - mas apenas se existir excitação", diz o sexólogo, que quando lhe pediam diretamente Pau de Cabinda só receitava a molécula da planta após conhecer a história clínica do paciente.

O médico acredita que o produto poderia continuar a ser comercializado - bastando não ser de venda livre, e não acredita que a proibição vá afastar clientes. "É algo fácil de comprar online", lembra.

O Pau de Cabinda [Pausinystalia yohimbe] e suas preparações foram incluídos na parte A do anexo III do Regulamento da Comunidade Europeia (CE) nº 1925/2006, o que implica que a sua utilização em alimentos será proibida, nomeadamente em Portugal. Segundo o regulamento, os alimentos com Pau de Cabinda ou suas preparações legalmente colocados no mercado português antes de 14 de maio de 2019 poderão ainda ser comercializados.  DN

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