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Explosão de mina deixa nove crianças feridas na província do Bié

A explosão de uma mina provocou ferimentos a nove crianças, na província do Bié, centro de Angola, o segundo caso do género que ocorre numa semana, informou hoje fonte sanitária local.

O incidente, ocorrido no sábado, no bairro Chissindo, arredores da cidade do Cuíto, capital da província, vitimou crianças com idades entre os 3 e 11 anos, que se encontram a receber tratamento no Hospital Geral do Bié.

Segundo o diretor-geral daquela unidade hospitalar, Miguel Cabaça, citado pela agência noticiosa angolana, Angop, as crianças não correm perigo de vida, mas ainda carecem de cuidados.

Miguel Cabaça disse que este é o segundo caso que se regista numa semana, tendo o primeiro acontecido na quinta-feira, do qual resultou ferida uma criança de 12 anos.

No último incidente, de acordo com a mãe de duas das vítimas, as crianças faziam uma fogueira para se aquecerem do frio quando aconteceu a explosão.

Em 2018, segundo dados do Instituto Nacional de Desminagem (INAD), foram registados no Bié três acidentes com minas, que resultaram num morto e 10 feridos, nos municípios de Camacupa, Cuíto e Andulo.

No ano passado, as atividades de desminagem naquela região no centro de Angola permitiram a destruição de 7.707 engenhos explosivos não detonados.

No dia 01 de maio último, o diretor do Instituto Nacional de Desminagem (INAD) angolano, brigadeiro José Domingos de Oliveira, indicou que, em 2018, as minas estiveram na origem de 28 acidentes, que causaram a morte a 19 pessoas, oito delas crianças, e ferimentos, alguns deles graves, noutras 45 pessoas, dois terços delas, 30, também crianças.

Por outro lado, o mais recente relatório do Landmine Monitor, elaborado pela organização não-governamental Campanha Internacional para a Abolição de Minas, manteve como "grave" a situação em Angola.

Desde o fim da guerra civil, em 2002, foram desminados cerca de 2.000 campos, estando identificados outros mil por "limpar", processo que já custou mais de 500 milhões de dólares (445 milhões de euros).

Segundo o diretor do INAD, além do milhar de campos de minas, existem também outras zonas que, pelo seu historial, não oferecem a segurança necessária para a implementação de projetos de reconstrução e desenvolvimento nacional.

"Ao contrário do que muita gente pensa, ainda há muito trabalho para ser feito, porque o solo angolano foi densamente minado", afirmou José Domingos de Oliveira.

Em 20 de novembro de 2018, após a divulgação, em Genebra, Suíça, de um anterior relatório do Landmine Monitor, Angola pediu uma extensão do prazo até janeiro de 2026 para eliminar as então 1.465 áreas minadas, totalizando 221,4 quilómetros quadrados.

Angola continua entre os 11 países com maior área contaminada - mais de 100 quilómetros quadrados do total do território.

Em abril de 2018, Angola reportou um total de 147,6 quilómetros quadrados de áreas minadas - 89,3 quilómetros quadrados de áreas perigosas confirmadas e 58,3 quilómetros quadrados de áreas suspeitas perigosas, indica o relatório.

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