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Morreu músico angolano Waldemar Bastos aos 66 anos

O músico angolano Waldemar Bastos, morreu vítima de cancro, aos 66 anos, disse fonte do gabinete de comunicação do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente de Angola.

Vivia em Portugal desde a independência de Angola. Até ao período de reconciliação iniciado em 2018, considerava ostracizado pelo regime angolano. Waldemar Bastos, foi um dos mais consagrados artistas lusófonos e dos primeiros artistas de Angola a alcançar a internacionalização, morreu esta segunda-feira de madrugada em Lisboa, aos 66 anos, disse à agência Lusa o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente de Angola. Radicado em Portugal, estava em tratamentos oncológicos desde há um ano, referiu a mesma fonte.

Com um percurso profissional de mais de quatro décadas, Waldemar Bastos apresentava uma sonoridade que o próprio definia como “afro-luso-atlântica”, marcada por composições de cariz autobiográfico. Em 2018, recebeu o Prémio Nacional de Cultura e Artes, a mais importante distinção do estado angolano nesta área, e em 1999 tinha recebido o prémio New Artist of the Year nos World Music Awards.

Waldemar dos Santos Alonso de Almeida Bastos nasceu em janeiro de 1954 na província de de São Salvador do Congo (ou MBanza Kongo). Considerava que a carreira de músico e compositor se tinha iniciado aos sete anos, quando o pai, ligado à música sacra, o descobriu a tocar num acordeão as músicas que ouvia na rádio.

Ainda em criança recebeu aulas de música e percebeu que sabia mais de ouvido do que a partir das notas musicais. A infância em Angola foi descrita como opressiva, devido ao regime colonial português, e a música pode ter sido o escape que encontrou. As suas primeiras atuações foram com conjuntos de baile em estilo rock.

A seguir à independência de Angola, em 11 de novembro de 1975, exilou-se em Portugal para escapar à guerra civil que assolou o país. Estamos Juntos foi o primeiro disco de estúdio que gravou, em 1983. O álbum Preta Luz, de 1998, foi considerado pelo New York Times um dos melhores da década de 90.

Do ostracismo à reconciliação com Angola

Waldemar Bastos acusou o regime de José Eduardo dos Santos de perseguição, por se recusar a apoiar o partido no poder, o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola). “Foram poucas ou nenhumas as vezes em que me deixaram cantar no meu país”, alegou em 2016 na rede social Facebook, acrescentando que se sentia vigiado “todos os dias, palmo a palmo, pela polícia secreta e ‘bufos’ ao serviço do regime no poder em Angola”.

Quando das eleições legislativas de 23 de agosto​ de 2017 em Angola — as terceiras eleições depois do fim da guerra civil, que puseram termo ao consulado de 37 anos de José Eduardo dos Santos e elegeram como presidente João Lourenço, também do MPLA — Waldemar Bastos considerou “fundamental uma abertura, porque os angolanos têm que viver em liberdade”.

Desde então, estava mais próxima a relação do músico com as autoridades do país. O prémio Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2018, igualmente atribuído ao cantor Bonga, foi interpretado como parte de um processo de reconciliação nacional patrocinado pelo presidente João Lourenço.

“Bonga e Waldemar Bastos sempre usaram a sua música como artilharia de combate a todos os males que atestavam a independência governamental do governo angolano, através da sua música de carácter intervencionista”, comentou em 2018 o jornalista angolano Fernando Guelengue. “Este feito colocou os artistas diante de um muro que separava a sua verdadeira raiz e vontade de contribuir para o desenvolvimento do país com a punição moral do anterior Governo.”

Em janeiro do ano passado, Waldemar Bastos foi recebido pelo ministra da Cultura angolana, Carolina Cerqueira, e afirmou que estava “disponível para trabalhar com o Ministério da Cultura no processo de internacionalização da identidade cultural angolana e os criadores angolanos”.

Família pede privacidade

A família do músico angolano Waldemar Bastos reconfirmou, há instantes, a morte do artista, em Portugal, vítima de doença, e pediu privacidade nesse momento de luto.

Numa mensagem publicada na página oficial do músico, no Facebook, lê-se que "Waldemar Bastos morreu nesta madrugada, em Lisboa (Portugal), aos 66 anos vítima de cancro".

"Com profunda tristeza e dôr, a família informa a todos que conheciam e apreciavam a sua música, que Waldemar Bastos faleceu ontem, dia 9 de Agosto de 2020, vítima de doença prolongada" , destaca.

Conforme o texto, "ficarão com eterna saudade, carinho e com o seu amor incondicional à sua família, em especial como pai e avô".

No post, lê-se que Waldemar bastos deixa a todos, em particular ao povo humilde de Angola, o seu legado musical ímpar e de excelência.

Discografia

1983: Estamos Juntos (EMI Records Ltd)
1989: Angola Minha Namorada (EMI Portugal)
1992: Pitanga Madura (EMI Portugal)
1997: Pretaluz [blacklight] (Luaka Bop)
2004: Renascence (World Connection)
2008: Love Is Blindness (2008)
2012: Classics of my soul (2012)

C/Observador

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