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Especialista critica MPLA pela “narrativa de agenda oculta” da UNITA em manifestações de cidadãos

Especialista critica MPLA pela “narrativa de agenda oculta” da UNITA em manifestações de cidadãos

Um especialista angolano em assuntos eleitorais criticou hoje a “narrativa do MPLA”, no poder, de que as manifestações públicas dos cidadãos sejam uma “agenda oculta” da UNITA (oposição), considerando que as autoridades administrativas transformaram a polícia numa “instituição anti-manifestação”.

“O que acontece é que há uma narrativa, um aproveitamento político do MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola, no poder desde 1975], enquanto instituição governante, que a manifestação dos cidadãos reivindicando questões públicas é sempre uma agenda oculta que por detrás está o partido da oposição UNITA e inclusive o Presidente da República ter reiterado que é para desestabilizar a ordem democrática, a tal agenda oculta”, disse Luís Jimbo à Lusa.

Falando sobre a manifestação nacional de sábado passado, onde em Luanda os manifestantes foram reprimidos pela polícia, tendo esta acusado a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) de promover distúrbios, Jimbo considera que as referidas acusações não fazem qualquer sentido, sobretudo para os cidadãos.

“Isso não está a fazer sentido para os cidadãos, principalmente na zona urbana, e isto é que fez com que o MPLA, por exemplo, em Luanda, tivesse perdido uma grande base do seu eleitorado”, referiu, aludindo aos resultados eleitorais de agosto de 2022.

“Porque não faz sentido, hoje o cidadão está mais consciente, é mais livre, tem mais informação, demos muitos progressos nos direitos fundamentais e liberdades de expressão, o cidadão está consciente em estar na rua de forma livre”, frisou.

Para o diretor executivo do Instituto Angolano de Sistemas Eleitorais e Democracia (IASED), quando o cidadão escuta “a narrativa do MPLA” de que este está na rua por motivação partidária da UNITA, tem um “sentimento de frustração” e não acredita que as autoridades estejam "interessadas em resolver o problema”.

A manifestação de sábado passado, promovida por ativistas e membros da sociedade civil, foi dispersada pela polícia, em Luanda, tendo a polícia acusado a UNITA de ter organizado o protesto, por registar a presença de dirigentes e deputados dos 'maninhos' no ato.

Detenções e feridos foram alguns dos resultados dos protestos de Luanda, enquanto protestos anteriores contra a subida do combustível na província angolana do Huambo fizeram, pelo menos, cinco mortos.

As acusações foram rejeitadas pela UNITA, considerando que o MPLA está a criar um “bode expiatório” para fugir à essência das manifestações, um assunto discutido esta quinta-feira pelo parlamento angolano.

Luís Jimbo criticou também o MPLA e o Governo por “não responderem” aos clamores dos cidadãos, que “gritam por qualidade de vida e redução do preço da cesta básica”, e transformam a UNITA no “seu alvo”.

“Perante um problema público, perante o gritar do cidadão reclamando qualidade de vida, redução do preço da cesta básica, o MPLA e o Governo não respondem ao cidadão, respondem à UNITA”, apontou.

Com esta mensagem que o partido no poder passa, salientou, o cidadão, os grupos de pressão e as organizações não-governamentais que realizam manifestações “são empurrados a serem solidários com a UNITA”.

O diretor executivo do IASED reprovou igualmente a reação da polícia, considerando que “foi uma deceção muito grande” ter envolvido a UNITA na organização das manifestações.

Lamentou mesmo que a polícia “seja apenas republicana” em atos públicos dos partidos MPLA e UNITA, quer em marchas ou ações de mobilização política, onde participa para garantir o exercício pleno dos partidos, mas “impede” manifestações de cidadãos.

Recordou que a UNITA realizou há semanas uma manifestação em Luanda, onde “não houve incidentes, em que polícia participou de forma republicana”, questionado os impedimentos quando a iniciativa vem de cidadãos.

“Parece que estamos num país onde o respeito já não é a cidadania, os governantes, os políticos, não estão interessados no bem-estar das pessoas, mas no bem-estar os partidos políticos? Quer dizer, todos nós devemos ser de partidos políticos para nos sentirmos pessoas e sermos respeitados?”, questionou.

Este especialista disse ainda que as autoridades administrativas, sobretudo dos governos provinciais, transformaram a comunicação dos cidadãos sobre a realização de manifestações num “verdadeiro mecanismo de negação”.

“Isto transformou a polícia numa instituição anti-manifestação e sai para a rua para impedir com que esse exercício de liberdade fundamental seja exercido à luz da comunicação que recebeu da administração, ao invés de ir à rua para garantir o exercício livre e pacifico do cidadão”, criticou.

Jimbo referiu-se também sobre a participação de deputados e/ou entidades governamentais em manifestações, considerando que estes têm esse direito, para responderem às inquietações dos cidadãos.