Angola conta com a primeira sociedade distribuidora de valores mobiliários "Áurea SDVM"

A primeira sociedade distribuidora de valores mobiliários angolana “Áurea SDVM”, foi lançada esta semana em Luanda, e tem já em curso uma emissão obrigacionista de colocação particular e outras iniciativas de consultoria, segundo o presidente executivo da instituição financeira.

De acordo com Kelson Cardoso, os projetos em carteira são já uma demonstração de “audácia e vontade de estar na vanguarda, dinamizando o mercado de capitais no país”.

Kelson Cardoso disse que acompanham com interesse os projetos do PROPRIV [programa de privatizações], o segmento de médias e pequenas empresas da Bolsa de Dívidas e Valores de Angola (Bodiva), entre outros, considerando que o mercado de capitais angolano está a seguir o seu ritmo natural e salientando que os acionistas “viram uma oportunidade para criar a estrutura”.

Segundo o responsável, o objetivo é essencialmente trazer para o mercado produtos alternativos de investimentos para clientes, bem como ser uma via alternativa à banca para as entidades que precisam de financiamentos.

“Nós não somos um banco que concede crédito, mas somos as ferramentas para criar produtos que ajudem as empresas, sejam elas, pequenas, médias e grandes, a encontrar alternativas para se financiar”, disse.

Por sua vez, o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, destacou que de 2019 até este ano, os bancos, enquanto agentes de mediação no mercado, geraram um volume de transação acima de nove biliões de kwanzas (17,1 mil milhões de euros).

“Nós tivemos sociedades corretoras que transacionaram mais de 178 mil milhões de kwanzas (339,2 milhões de euros) e no total foram negociados mais de nove biliões de kwanzas. Isto quer dizer que os bancos por si só representam um volume muito grande daquilo que é negociado no nosso mercado de capitais, alterar isso de um dia para outro vai dar trabalho e quanto começar-se a trabalhar nisso melhor”, sublinhou.

Com um capital social de 610 milhões de kwanzas (1,1 milhões de euros), seis vezes mais do que o mínimo obrigatório para a constituição de uma sociedade distribuidora de valores mobiliários, e um investimento acima de um bilião de kwanzas, o BAI é o acionista maioritário, com 99,9% de participação.

Sobre a instituição, o presidente da Comissão Executiva do BAI, Luís Lélis, disse que a distribuidora vai tornar cada vez mais exequível e mais sólido o mercado de capitais angolano.

“Nós, como acionistas fundadores desta sociedade, o fizemos porque acreditamos, porque, enquanto sociedade distribuidora de valores mobiliários, ela pode complementar e passar a executar aquilo que é o papel que até agora os bancos faziam e é uma demonstração também do compromisso que temos para com o mercado de capitais e o mercado financeiro em Angola”, frisou.

Luís Lélis disse que a presença do BAI visa assegurar capacidade e demonstrar “que está por detrás desta instituição”.

“Qualquer mercado constrói-se a partir da fundação, um tijolo de cada vez, esta é mais uma peça. Nós não investiríamos na sociedade, na sua implementação, se não acreditássemos (…) estamos ansiosos que o mercado se constitua também de outras empresas, não importa a dimensão, porque acreditamos que a concorrência ajuda”, destacou.

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