Confiança dos consumidores cai pela segunda vez consecutiva

Quanto às expectativas dos preços de bens e serviços, as famílias angolanas prevêem uma forte subida nos próximos 12 meses, o que, passados três meses, já se começou a materializar como consequência da depreciação do kwanza e da subida do preço da gasolina.

A confiança dos consumidores sobre a evolução económica e financeira das famílias caiu pelo segundo trimestre consecutivo, de acordo com o Indicador de Confiança dos Consumidores (ICC) publicado recentemente pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), referente ao I trimestre deste ano.

Esta tendência descendente resulta do contributo negativo de algumas das variáveis que compõem o indicador, nomeadamente a opinião sobre a situação financeira das famílias nos próximos 12 meses, que caiu de 3 para 1, bem como a opinião sobre a situação económica do país nos próximos 12 meses, que também caiu para os 5 pontos, mantendo-se em terreno positivo.

Já em relação ao desemprego nos próximos 12 meses, os consumidores estavam mais pessimistas em relação ao período anterior. Também a situação económica actual das famílias, cuja opinião teve mais respostas negativas que positivas, voltou a cair (-17), à semelhança do que já tinha acontecido no trimestre anterior.

Desde 2019, altura em que começou a ser medido pelo INE, o ICC apresentou um comportamento descendente e atingiu o valor mais baixo no III trimestre de 2020 (-23). A partir daí, apesar de permanecer em terreno negativo, inverteu a marcha até atingir o valor mais alto de confiança no III trimestre de 2022 (- -2). O indicador voltou à tendência de queda no IV trimestre do mesmo ano, ao passar para -3 e seguiu em queda no I primeiro trimestre de 2023 ao cair para -5.

Para o economista Heitor Carvalho, estes resultados foram originados pela retracção no entusiasmo das famílias que prevaleceu durante a subida do petróleo.

O Inquérito da Conjuntura no Consumidor tem como objectivo obter a opinião dos agregados familiares face a vários aspectos da conjuntura económica. Permite avaliar o nível ou o grau de confiança das famílias angolanas, no que concerne à situação económica e financeira do País, bem como a dos agregados familiares.

Sobre a importância da realização deste género de inquéritos, Heitor Carvalho declarou que todos os inquéritos são importantes na estatística nacional, havendo sempre um período de lançamento e correcção de dados e procedimentos. O ICC ainda é recente, mas é fundamental para conhecer e antecipar a evolução da economia.

Este inquérito é dividido em três partes: a primeira revela o Indicador de Confiança no Consumidor, cujo inquérito questiona os agregados familiares sobre a situação financeira das famílias nos próximos 12 meses, bem como a situação económica do país nos próximos 12 meses, do desemprego nos próximos 12 meses e sobre a situação actual das famílias.

O inquérito também recolhe as opiniões e expectativas dos agregados familiares sobre os últimos 12 meses, nomeadamente sobre o desemprego, os preços dos bens e serviços, a situação económica das famílias e do país.

Neste ponto, na opinião das famílias entrevistadas nos últimos 12 meses, aumentou o nível de desemprego e dos preços de bens e serviços. Para os inquiridos, tanto a situação económica do país como a das famílias pioraram face ao mesmo período de 2022.

Quanto às expectativas dos preços de bens e serviços, as famílias angolanas prevêem uma forte subida nos próximos 12 meses, o que passados três meses já se começou a materializar como consequência da depreciação do kwanza e da subida da gasolina. Expansão

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